sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

as editoras




 

poucas instituições tratarão tão mal os seus interlocutores como o faz a generalidade das editoras portuguesas. para além do serviço que prestam ou não prestam aos seus clientes finais (os leitores), a sua relação com os produtores (os autores) é muitas vezes de desrespeito, e frequentemente de pura prepotência.
algumas editoras e editores afirmam uma relação privilegiada com “os seus autores”, menosprezando todos quantos não se enquadrem no restrito grupo de eleitos. outras desrespeitam uns e outros. empenham-se pouco ou nada na promoção do que publicam, não prestam informações quanto a vendas, raramente há lugar ao pagamento de direitos.
a maior parte trata os autores não publicados com um quase elementar desprezo. é como um favor que aceitam, quando aceitam, os originais. é com manifesta desconfiança que avaliam as propostas. contactar telefonicamente um qualquer responsável editorial é quase impossível. o envio pelo correio é, na maior parte dos casos, a antecipação da recusa. não são incomuns as situações de autores que, recusados por uma editora, são por ela aceites se os mesmos textos lhes chegam por outras vias. nenhuma editora acusa a simples recepção dos originais.
será difícil gerir a quantidade de propostas que algumas casas recebem, mas o profissionalismo passa também por saber gerir essa massa de textos e de expectativas. como norma, é manifesto o desinvestimento nas relações com os novos autores. saber dizer que não é condição da existência de critérios editoriais consequentes. não responder, ou recusar de forma sumária muitos meses ou anos após a recepção dos originais, já é uma forma de crueldade.
haverá excepções, mas não mudam a regra.