segunda-feira, 16 de maio de 2011

a proliferação




diante do ruído quotidiano, qualquer palavra que se inscreva no espaço público é já uma palavra a mais. qualquer palavra, qualquer imagem. diante da proliferação de textos ou de imagens como regime cultural da contemporaneidade, a representação que se pretenda exigente deve salvaguardar uma pausa ou um silêncio como espaço prévio de produção e de recepção.  
nas actuais sociedades de abundância, a escrita e arte devem constituir lugares de reserva crítica. a estrita acumulação de palavras como estratégia de escrita ou de produção de uma identidade pública inscreve-se num contexto cultural marcado pela sobre-produção de representações.
poderá ser legítima a opção pela proliferação como estratégia criativa, mas tal tende a potenciar a auto-complacência e a descurar o trabalho sobre a linguagem que é condição de aprofundamento de critérios de exigência. enquanto tentativa de ocupação do espaço mediático, a proliferação de textos e de obras só muito dificilmente não conduz ao esgotamento de uma voz, e ao enfraquecimento das potencialidades criativas do seu autor. supostamente, da quantidade emerge a qualidade. se no plano colectivo esta asserção é viável, no plano individual ela é mais do que questionável.