quarta-feira, 2 de novembro de 2011

as livrarias





são lugares tristes. o excesso de luz não dá a ver, expõe a pobreza que se esconde na multiplicação de volumes. a acumulação de papel impresso não significa uma promessa de mundo, mas o anestesiamento das palavras pela sua própria proliferação. palavras a mais, livros a mais, e muito poucos nos quais acreditar. com aquela crença nas palavras, no pensamento e na literatura que é necessária para comprar um livro.
volumes que não chegam a existir, pois não lhes será sequer dado o tempo de emergirem do anonimato, outros, a maior parte, cuja existência, estampada na capa e firmada nas páginas, já era prescindível antes da publicação.
por vezes, muito raramente, há uma surpresa. um livro no qual queremos acreditar mesmo antes de ter sido lido, ou outro que merece o benefício da dúvida. mas quase sempre os únicos motivos de verdadeira alegria são os do reencontro com os livros que já lemos. aqueles, poucos, capazes de produzir um mundo. os que temos em casa.