«
Ich sterbe. Um sinal e não um pedido de
socorro. Aqui onde me encontro não há socorro possível. Mais nenhum recurso. O
senhor sabe tão bem como eu do que se trata. Ninguém melhor que o senhor sabe
do que estou a falar. Aí está porque é a si que eu digo: Ich sterbe. » 1
do
que é que estamos a falar? do que é que algum dia alguém pretendeu falar? de
si? do mundo? das próprias palavras?
trata-se
sempre de acumular palavras à espera que a sua simples sucessão possa produzir
alguma coisa como um simulacro de vida, um adiamento ou um aditamento à morte.
esse
simulacro que só os outros podem garantir.
1.
Nathalie Sarraute, O Uso das Palavras,
trad. de Daniel Gonçalves, Difel, 1987, p. 10.
