Domingo, 15 de Janeiro de 2012

os clássicos






os nossos clássicos. não recuemos muito, o século XIX, o século XX. Camilo, Eça, Raúl Brandão. ou os mais próximos, Carlos de Oliveira, Cardoso Pires. são poucas as edições recentes e graficamente actualizadas, e quando as há raramente se encontram disponíveis nas livrarias. se não são objecto de leitura nos programas escolares e académicos, desaparecem das estantes e rapidamente da memória colectiva. raramente um autor continua a ser lido para além da sua morte, ou do momento em que deixa de publicar com regularidade. veja-se os casos de Almeida Faria ou de Agustina Bessa Luís.
não nos reportamos sequer àqueles cuja escrita, não obstante o reconhecimento adquirido em vida, não se mostra capaz de suportar as transformações do mundo, da língua e das expectativas do leitor. apenas aos outros. os que talvez fossem capazes de nos confrontar com o outro interior da língua, capazes de nos obrigar ao confronto com aquilo que somos embora pretendamos não o reconhecer como nosso. aqueles que talvez valesse a pena ler.
se é que alguém algum dia lê alguma coisa. os clássicos ou os contemporâneos.