os nossos clássicos. não recuemos muito, o século XIX, o
século XX. Camilo, Eça, Raúl Brandão. ou os mais próximos, Carlos de Oliveira, Cardoso
Pires. são poucas as edições recentes e graficamente actualizadas, e quando as
há raramente se encontram disponíveis nas livrarias. se não são objecto de
leitura nos programas escolares e académicos, desaparecem das estantes e
rapidamente da memória colectiva. raramente um autor continua a ser lido para além
da sua morte, ou do momento em que deixa de publicar com regularidade. veja-se
os casos de Almeida Faria ou de Agustina Bessa Luís.
não nos reportamos sequer àqueles cuja escrita, não obstante
o reconhecimento adquirido em vida, não se mostra capaz de suportar as transformações
do mundo, da língua e das expectativas do leitor. apenas aos outros. os que talvez
fossem capazes de nos confrontar com o outro interior da língua, capazes de nos
obrigar ao confronto com aquilo que somos embora pretendamos não o reconhecer
como nosso. aqueles que talvez valesse a pena ler.
se é que alguém algum dia lê
alguma coisa. os clássicos ou os contemporâneos.
