terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A edição independente




tem, ao nível da poesia, constituído uma solução eficaz para o estreitamento do seu espaço editorial nas maiores editoras. Nos últimos anos, a multiplicação de projectos vem assegurando a pluralidade de discursos e de opções estéticas. A própria edição de autor tem, em alguns casos, adquirido uma legitimidade que há poucos anos não era antecipável.
Isto garante à poesia uma pujança e uma diversidade de projectos que se torna difícil de encontrar ao nível da novela e do romance. Será nestes que o estrangulamento ditado pela concentração editorial se faz sentir de um modo agudo. As estruturas que suportam a edição de poesia, em pequenos formatos, tiragens reduzidas e distribuição limitada, não se coadunam com a edição de romance. Este encontra-se inteiramente exposto ao afunilamento de opções editoriais predominantemente avessas ao risco e subordinadas aos critérios de um reduzido número de decisores.
Pelas editoras circulam, como almas condenadas a um purgatório sem expectativa  de redenção, inúmeros textos que talvez merecessem mais do que a leitura das prometidas primeiras vinte páginas do primeiro capítulo.