sábado, 8 de novembro de 2014

O génio (mesmo sem obra)




Se, na voragem do tempo, se perdesse por completo toda obra de António Lobo Antunes, restando apenas a volumosa recolha das suas entrevistas, talvez a posteridade o reconhecesse como um dos maiores autores da história da literatura. Único, imenso, só por si capaz de construir o mito do seu génio e de denunciar, sem nunca nomear, as personagens menores que à sua volta lhe permitem firmar as pretensões de grandeza.
«Não tenho nenhum medo da crítica porque sei o que eles valem. Não sou parvo.» Afirma o autor na recente entrevista ao Público. Depreende-se que, revertendo a asserção, levantar dúvidas ou objecções relativamente ao valor da grande obra seja procedimento de pessoas pequenas. De parvulus, precisamente.